Pelas Internas nº 2

O segundo número do fanzine Pelas Internas, feito pelo coletivo de bandas brusquenses ativas no final dos anos 80, saiu no começo de 1989 – tempo em que a cena local foi sustentada justamente pelos esforços do pessoal das bandas.

Esta edição mostra que o contato via Correio com outros zines e músicos estava crescendo: o foco deixa de ser exclusivamente Brusque. As páginas são divididas também com bandas e zines de outras cidades. Existe até espaço para o texto e quadrinhos desenhados por um colaborador paulista, Antonio Revolta (Antonio Matos Silva).

Um destaque curioso: o zine lista todos os shows que aconteceram em Brusque em 1988. “19 shows como esses podem até parecer insignificantes para alguma espécie de grande centro, mas tratando-se de Brusque, essa pacata cidade que viveu no marasmo cultural em anos anteriores, é algo realmente grande, mérito exclusivo do meio alternativo da cidade. Gostoso ver o empenho de gente esforçada como o Contracorrente e o Amarelo Vinte, os verdadeiros realizadores dos shows, revertido em adesão por parte de muitas outras pessoas inteligentes. Assim, bandas locais puderam tocar, estabelecendo já alguma frequência a cancha, mostrada em cidades vizinhas também” (Cristiano ZenShit).

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Pelas Internas nº 1

As bandas de Brusque, na época, iam além da ideia do “faça você mesmo”. Eram, na medida do possível, adeptas do conceito de coletivo. Produziam e divulgavam juntas shows locais, o que tornou possível uma quantidade bem surpreendente de eventos na cidade. Para amarrar essa divulgação e ampliar território, criaram um fanzine, o Pelas Internas. A primeira edição saiu por volta de setembro/outubro de 1988. Falava basicamente das bandas ativas na época e explicava a cena.

Dois textos da edição do zine:

Rodrigo Kormann (DaBesta): “Na cidade existem várias bandas: na ativa estão Shit, Insultos, Bandeira Federal e DaBesta e outras em formação. Todas trabalham juntas e tocam juntas, sendo bandas de estilos diferentes. Misturando rockabilly com hardcore, rock’n’roll com punk rock e muitas outras tendências. A presença constante de bandas de fora, como o Cólera, Devotos de Nossa Senhora Aparecida e Kães Vadius,nos dá uma super força e nos faz perceber a admiração que eles tem pelo que nós fazemos aqui (longe demais das capitais). Se bem que um tal de Redson do Cólera se admirou tanto que batizou a cidade de “capital do rock” – e é mesmo, porque nem a capital do estado, a ilha de Florianópolis, tem uma movimentação parecida. O interesse agora é difundir nossas bandas para fora de BQ, para que transformemos todo estado num polo cultural”.

Cristiano Zen (Shit): “O objetivo do Pelas Internas creio que deve ser o mesmo de outros zines que já circulam. Já no nº 1, atingir o máximo de polos culturais desse país, estabelecendo comunicação com undergrounds que já tenham longe de si a hipocrisia tradicionalista ou venham fazendo uma reviravolta em termos culturais em sua região. Queremos, aqui no sul, receber o máximo de notícias, venham de onde vieram, pois daqui estamos de certa forma vulneráveis a conhecer apenas aquilo que se é manchete, ou seja, uma visão externa e direcionada. Esperamos que os fanzines de apoiem, criando em nosso país um novo canal de comunicação, bem interna e distante dos telejornais.

Não precisa, mas se você quiser… clique nas imagens para ler!

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